Outro dia ouvi um “teleevangelista” ensinando sua platéia a se afastarem dos fracos. Seu argumento era lógico: “Os fracos atraem o fracasso”. Pelo menos essa é lógica do mundo.
Não deveria valer para os seguidores de Cristo, porém, não é isso que ouço e vejo. O autor aos Hebreus diz que os grandes heróis da fé foram homens e mulheres que da “fraqueza tiraram força” (11:34).
Nos últimos dias me sinto confortado pelo chamamento de Gideão. Um homem em fuga. Dentro do lagar, mas malhando o trigo. O Anjo o vê e lhe diz: “O Senhor é contigo, homem valente” (Juízes 6:11-12). Gideão está amedrontado, mas Deus vê força na fraqueza. Deus sente-se atraído pelo fraco.
Lembro-me de Davi. Rapaz sem expressão até para os de casa. Talvez devesse dizer, principalmente para os de casa. Ninguém o escolheria. Senão fosse pela intervenção divina, nem mesmo o sábio Samuel, que por um instante vacilou entre a aparência e a essência. Nem Davi acredita no que Deus fez com tamanha fraqueza em forma de gente: “Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?” (2 Samuel 7:18). Deus sente-se atraído pelo fraco.
Que dizer de Jeremias? O profeta parece espantado diante de seu chamado. Sente-se como uma criança afugentada. Mas como Deus o vê? “Eis que te ponho por cidade fortificada, por coluna de ferro e por muro de bronze...” (Jeremias 1:18). Deus sente-se atraído pelo fraco.
O Evangelho se despe da nossa coerência. Jesus proclama no sermão do monte que é uma grande benção nada possuir. Felizes os fracos. Felizes os que choram, os pobres, os humildes, os mansos, os perseguidos... Jesus sentiu-se atraído por gente fraca. Fez passar o seu caminho entre leprosos, cegos, coxos, prostitutas, viúvas, rejeitados, desprezados. Caminhou e viveu entre os fracos.
E os apóstolos? A ilustração viva da força da fraqueza. O que dizer de “homens iletrados e incultos” (Atos 4:13)? Simplesmente que incomodaram o mundo e suas estruturas injustas (Atos 17:6). Evidentemente, que entre os apóstolos, destaca-se Paulo. Alguém que se considerava o “menor dos apóstolos” (1 Coríntios 15:9), indigno e o principal dos pecadores (1 Timóteo 1:15). Mas que viu o florescimento do evangelho na Galácia, por causa da fraqueza de uma enfermidade física (Gálatas 4:13). Talvez por esta e outras experiências entende que “quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Coríntios 12:10).
Por isso decidi não me afastar dos fracos. Decidi continuar comigo. Quero estar mais próximo daqueles que conseguem chorar suas limitações. Que se sentem inaptos para os grandes propósitos divinos. Decidi que não quero mostrar-me forte. Seria mascarar a realidade. Entendi que sou mais feliz quando sou mais fraco. Estou melhor quando estou em companhia daqueles que se sentem, como eu, em fraqueza! Prefiro os heróis da fé que tiram força da fraqueza aos que se mostram robustos, apenas para fantasiar o raquitismo de sua fé. Assim, sei hoje, mais do que nunca, que “Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Coríntios 1:27), a fim de que a performance dos vasos de barro denuncie sua fraqueza, o tesouro resplandeça e o poder seja de Deus e não de nós.
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